sexta-feira, 12 de março de 2010

EU QUERO É RELIGIÃO - SHOW!

Algumas vezes tenho abordado aqui nesse espaço, temas sobre a deterioração do evangelho pregado aí no mundo!

Um incalculável número de "igrejas" estão surgindo a cada dia, trazendo com elas métodos de "evagelização" cada vêz mais distantes dos preceitos Bíblicos! A mensagem divina está sendo corrompida por auto-proclamados "pastores". O inimigo está "rugindo" sutilmente usando essas pessoas, para suplantar a Verdade Divina, tentando levar ao engano um número infindo  de "fiéis".

Tenho frequentado periodicamente algumas igrejas "pentecostais" e "neo-pentecostais" em busca de mais informações sobre o que se passa dentro desses recintos. Fiquei feliz em ver uma em especial, onde os louvores são entoados acompanhados por um grupo muito bonito de músicos em instrumentos de cordas e sopro, bem semelhante ao que o Salmo 150 descreve. Mas tembém em tantas outras fiquei  muito assustado com o que tenho presenciado! Simplesmente um sincretismo também dentro das chamadas igrejas evangélicas, ao molde do que acontece nas igrejas católicas,  especificamente em Salvador no Estado Bahia. Uma mistura de ritmos, experiências  sobrenaturais, êxtase, histeria, transe, sob a alegação completa em se tratar de manifestação do espírito santo. Certamente sim são manifestações de espíritos. Com toda convicção não se trata da terceira pessoa da Trindade! Ora!!! O Deus que conheço, é um Deus de ordem e decência, não de confusão balburdia e desordem (I Cor. 14:33).

Estamos vendo uma maculação da VERDADE, e ainda nenhum "Lutero" se levanta,  para reconduzir aos "trilhos" a Mensagem que o mundo precisa conhecer.

Recentemente recebi uma mensagem por e-mail, de uma amiga sobre essa lepra que está instalada dentro dessas denominações.

Eis abaixo uma cópia de texto sobre o que escreveu um líder religioso de língua portuguesa na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos.

Izaias

(Faço a reprodução com autorização expressa do autor.)


 “O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, barulho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice". (Charles Haddon Spurgeon)



No “final do século XIX... a ‘Era da Exposição’ começou a passar, e os primeiros sinais de sua substituição começaram a ser percebidos. Em seu lugar surgiu a "Era do Show Business”.


Enquanto Charles Spurgeon batalhava na Controvérsia do Declínio, uma tendência mundial começava a emergir, a qual estabeleceria o curso dos afazeres humanos em todo o século XX. Era o surgimento do entretenimento como o centro da vida familiar e cultural. Essa mesma tendência viu o declínio do que Neil Postman chamou de “A Era da Exposição”, cuja característica era uma ponderada troca de idéias, de forma escrita e verbal (pregação, debates, preleções). Isso contribuiu para o surgimento da 'Era do Show Business' – na qual a diversão e o entretenimento se tornaram os aspectos mais importantes e que mais consumiriam o tempo de conversa das pessoas. Dramatização, filmes e, finalmente, a televisão colocou o “Show Business” no centro de nossas vidas – em última análise, bem no centro de nossa sala de estar.


No “Show Business”, a verdade é irrelevante; o que realmente importa é se estamos sendo ou não entretidos. Atribui-se pouco valor ao conteúdo; o estilo é tudo. Nas palavras de Marshall McLuhan, o veículo é a mensagem. Infelizmente, hoje essa forma de pensar norteia tanto a igreja quanto o mundo.


Em 1955, A. W. Tozer escreveu as seguintes palavras:
"Durante séculos a igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o como um dispositivo para se perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para se desviar a atenção de contas quanto à moral. Por manter sua posição, ela sofreu abusos por parte dos filhos deste mundo. Ultimamente, entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece Ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o melhor que pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos seus líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinqüência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar a sua voz contra isso".


De acordo com os padrões da atualidade, as questões que tanto inflamaram as paixões de Tozer parecem insignificantes. Por exemplo, igrejas estavam atraindo pessoas para seus cultos de Domingo à noite através da apresentação de filmes cristãos. Encontros de jovens eram realizados tendo como atração a música contemporânea e palestrantes cuja especialidade era o humor. Jogos e atividades onde se gasta muita energia passaram a desempenhar um papel chave no trabalho com os jovens das igrejas. Olhando para trás, parece difícil entendermos a angústia de Tozer. Raramente alguém hoje fica chocado ou preocupado com quaisquer métodos que pareciam radicalmente inovadores nos anos cinqüenta. A maioria deles é hoje vista com naturalidade.


Entretanto, Tozer não estava condenando jogos, estilos musicais ou filmes em si mesmos. Ele estava perplexo a respeito da filosofia que estava por trás do que vinha acontecendo à igreja. Ele soou o alarme contra a mortal mudança de enfoque. Contemplou os evangélicos fazendo uso do entretenimento como uma ferramenta para o crescimento da igreja, acreditava que isso eqüivalia à subversão das prioridades da igreja. Temia que os desvios frívolos e as diversões carnais da igreja, em última análise, destruiriam o apetite das pessoas pela verdadeira adoração e pela pregação da Palavra de Deus.


Tozer estava certo quanto a isso. Aliás, a sua repreensão revela-se a cada dia mais apropriada. Ele e Spurgeon, que o precedeu, estavam identificando uma tendência que desabrochou por completo em nossa geração. Aquilo com que a igreja flertava à época de Spurgeon tornou-se fascinação na época de Tozer. Atualmente, tornou-se uma obsessão. E o que é mais prejudicial ainda é que as formas de entretenimento encontradas hoje na igreja são, com freqüência, completamente seculares, destituídas de qualquer aspecto cristão.


Um artigo escrito no The Wall Street Journal descreveu a proposta de uma conhecida igreja no sentido de “reanimar a assistência aos cultos dominicais noturnos”. A igreja “exibiu uma luta livre entre seus empregados. Tendo em vista a preparação para o evento, dez funcionários foram instruídos por Tugboat Taylor, um ex-lutador profissional, em puxar os cabelos, chutar os queixos dos outros e arremessar seus corpos ao chão sem lhes causar qualquer dano”. Isto não trouxe dano físico algum aos funcionários da igreja, mas qual o efeito de tal exibição sobre a mensagem anunciada por aquela igreja? O evangelho não se torna deturpado e pessimamente caricaturado por esse tipo de palhaçada? Você poderia imaginar o que Spurgeon ou Tozer teriam pensado a respeito disso? (...) O episódio aconteceu em um culto de Domingo à noite em uma das cinco maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos. Outros exemplos poderiam ser citados de várias das mais destacadas igrejas, supostamente pertencentes aos principais grupos da ortodoxia evangélica.


Alguns afirmarão que, se os princípios bíblicos forem apresentados, o instrumento para fazê-lo não é importante. Isso é bobagem. Se o entretenimento é a chave para conquistar pessoas, por que não sairmos completamente do prumo ? Por que não termos um verdadeiro carnaval ? Poderíamos contar com um acrobata tatuado, andando sobre um fio bem alto, fazendo malabarismos com as mãos e recitando versículos, enquanto um cão treinado se equilibraria na sua cabeça. Isso certamente atrairia uma multidão. E o conteúdo da mensagem ainda seria bíblico. É um cenário bizarro, mas ilustra bem como o veículo pode baratear e corromper a mensagem.


Infelizmente, isso não é tão diferente do que está, de fato, sendo realizado em algumas igrejas. Parece não haver limites com relação ao que alguns líderes na igreja moderna farão, a fim de atrair pessoas que não se interessam por adoração e pregação. Muitos já se renderam à idéia de que a igreja precisa conquistar os homens através do oferecer-lhes uma forma alternativa de entretenimento.


Até que ponto a igreja irá em sua competição com Hollywood ?.


Uma grande igreja do sudoeste dos Estados Unidos acaba de instalar um sistema de efeitos especiais, que custou meio milhão de dólares, capaz de produzir fumaça, fogo, faíscas e luzes de laser no auditório. A igreja enviou alguns de seus membros para estudar, ao vivo, os efeitos especiais de Bally’s Casino, em Las Vegas. O pastor terminou um dos cultos sendo elevado ao “céu” por meio de fios invisíveis que o tiraram da vista do auditório, enquanto o coral e a orquestra adicionavam um toque musical à fumaça, ao fogo e ao jogo de luzes. Para aquele pastor, tudo não passou de um típico Show dominical: “Ele lota a sua igreja através desses artifícios especiais, tais como derrubar uma árvore com uma serra para ilustrar um ponto de sua mensagem... realizar o maior espetáculo de fogos do 4 de julho da cidade e um culto de Natal com um elefante, um canguru e uma zebra alugados. O Show de Natal apresenta 100 palhaços com presentes para as crianças da igreja”.


Bobagens desse gênero teriam sido o conteúdo dos piores pesadelos de Spurgeon. Até mesmo Tozer não poderia Ter previsto o extremo ao qual os evangélicos chegariam em render homenagens ao grande deus entretenimento.


ENERGIZADOS PELO PRAGMATISMO

Não há como negar que essas excentricidades "funcionam", isto é, atraem a multidão. Muitas igrejas que experimentaram tais métodos relatam desfrutar um crescimento numérico na assistência a seus cultos. E uma porção de megaigrejas – aquelas que podem pagar por produções, efeitos e instalações de primeira classe – têm se mostrado capazes de estimular um grande crescimento numérico. Algumas delas enchem auditórios enormes, com milhares de pessoas, várias vezes por semana.


Algumas dessas megaigrejas relembram elegantes clubes de campo ou estâncias de férias. Possuem instalações que impressionam, incluindo boliche, cinema, spas, restaurantes, quadras para jogos, rinques de patinação e ginásios poliesportivos de última geração. A recreação e o entretenimento são, inevitavelmente, os aspectos mais visíveis destes empreendimentos. Tais igrejas tornaram-se as Mecas dos estudantes de crescimento de igreja.


No momento, os evangélicos em toda parte estão procurando freneticamente novas técnicas e formas de entretenimento para atrair o povo. Seja o método bíblico ou não, hoje isso não parece ter importância para o líder de igreja. Produz resultados? Esse é o novo parâmetro para a legitimidade em nossos dias. Dessa forma, o pragmatismo tem se tornado a força impulsionadora de muitas das igrejas professas de nossos dias.


É HORA DO ESPETÁCULO !
Quando Charles Spurgeon nos advertiu a respeito daqueles que “gostaria de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças”, foi menosprezado como um alarmista. Mas a profecia de Spurgeon se cumpriu diante de nossos olhos. As igrejas modernas são construídas assemelhando-se a teatros (“casas de divertimento”, Spurgeon as chamou). Em lugar do púlpito, o enfoque está no palco. As igrejas estão contratando, em regime de tempo integral, especialistas em mídia, consultores de programação, diretores de cena, professores de teatro, peritos em efeitos especiais e coreógrafos.


Tudo isso não passa da extensão natural de uma filosofia norteada por marketing seguida pelas igrejas. Se a igreja funciona apenas com o objetivo de promover um produto, é bom mesmo que seus líderes prestem atenção aos métodos da Avenida Madison. Afinal, a maior competição para a igreja é um mundo repleto de diversões seculares e uma gama de bens e serviços mundanos. Portanto, dizem os especialistas de marketing, jamais conquistaremos as pessoas até que desenvolvamos formas alternativas de entretenimento a fim de ganhar-lhes a atenção e a lealdade, desviando-as das ofertas do mundo. Desta forma, esse alvo estipula a natureza da campanha de marketing.


E o que há de errado nisso? Por um lado, a igreja não deveria mercadejar seu ministério, como sendo uma alternativa aos divertimentos seculares (1 Ts 3.2-6). Isto acaba corrompendo e barateando a verdadeira missão da igreja. Não somos apresentadores de carnaval, ou vendedores de carros usados, ou camelôs. Somos embaixadores de Cristo (2 Co 5.20). Conhecendo o temor do Senhor (v.11), motivados pelo amor a Cristo (v. 14), tendo sido completamente transformados por Ele (v. 17), imploramos aos pecadores que se reconciliem com Deus (v. 20).


Também, em lugar de confrontar o mundo com a verdade de Cristo, as megaigrejas norteadas por marketing estão promovendo com entusiasmo as piores técnicas da cultura secular. Alimentar o apetite das pessoas por entretenimento apenas agrava o problema das emoções insensatas, da apatia e do materialismo. Com toda a franqueza, é difícil conceber uma filosofia de ministério mais contrária ao padrão que o Senhor nos confiou.


Proclamar e expor a Palavra, visando o amadurecimento e a santidade dos crentes deveria ser âmago do ministério de toda igreja. Se o mundo olha para a igreja e vê ali um centro de entretenimento, estamos transmitindo a mensagem errada. Se os cristãos enxergam a igreja como um salão de diversões, a igreja morrerá. Uma senhora, inconformada com sua igreja, que tinha abraçado todas essas excentricidades modernas, queixou-se recentemente: “Quando é que a igreja vai parar de tentar entreter os bodes e voltar a alimentar as ovelhas?”


Nas Escrituras, nada indica que a igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo através do apresentar o Cristianismo como uma opção atrativa. Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Tampouco o evangelho tem o objetivo de ser atraente, no sentido do marketing moderno. Conforme já salientamos, freqüentemente a mensagem do evangelho é uma “pedra de tropeço e rocha de escândalo” (Rm 9.33; 1 Pe 2.8). O evangelho é perturbador, chocante, transtornador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como “fazer marketing” do evangelho bíblico. Aqueles que procuram remover a ofensa, ao torná-lo entretenedor, inevitavelmente corrompem e obscurecem os pontos cruciais da mensagem. A igreja precisa reconhecer que sua missão nunca foi a de relações públicas ou de vendas; fomos chamados a um viver santo, a declarar a inadulterada verdade de Deus – de forma amorosa, mas sem comprometê-la – a um mundo que não crê.


O Crescimento Numérico é Um Alvo Digno?
Convém dizer que não me oponho a igrejas grandes ou ao crescimento da igreja.

Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja, que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual, crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento. O modismo provocado por essa filosofia está se tornando mais e mais indisciplinado. Está afastando as pessoas das igrejas bíblicas e desviando as igrejas das prioridades bíblicas, enquanto faz surgir um punhado de megaigrejas cujo crescimento depende da capacidade de se antecipar e responder adequadamente à próxima tendência cultural que aparecerá. A igreja foi atraída para longe do verdadeiro avivamento e seduzida por aqueles que advogam a popularização do cristianismo. E, infelizmente, a maioria dos cristãos parece desatenta ao problema, satisfeita com um cristianismo que está na moda e que é altamente vistoso.


É o crescimento numérico um alvo digno no ministério da igreja? É lógico que nenhum bom líder da igreja argumentaria seriamente contra o crescimento numérico, considerando-o inerentemente indesejável. E ninguém crê que a estagnação ou o declínio numérico devem ser buscados. Mas, o crescimento numérico é sempre o melhor indicador da saúde da igreja?


Concordo com George Peters, que escreveu:


"O crescimento quantitativo... pode ser enganador. Pode não ser mais do que a proliferação de um movimento social ou psicológico mecanicamente induzido, uma contagem numérica, uma aglomeração de indivíduos ou grupos, um crescimento de um corpo sem o desenvolvimento dos músculos e dos órgãos vitais. Talvez se trate de uma forma de cristandade, mas não da emergência do verdadeiro cristianismo. Muitos movimentos que alcançaram os povos no passado , tais como movimentos comunitários e tribais, foram assim. Um exemplo disso encontra-se nas adesões em massa na Europa, em especial na França e Rússia, quando muitos foram levados ao batismo e trazido para dentro da igreja, resultando em um grande número de pessoas que professavam a cristandade, mas não resultando em uma dinâmica, vibrante, crescente e responsável igreja de Jesus Cristo... Precisamos admitir... que, em grande parte, essa expansão da forma, da profissão e do nome da cristandade manifesta pouca semelhança ao cristianismo definido no Novo Testamento e à igreja retratada no livro de Atos".


De muitas formas, a expansão da cristandade veio em detrimento da pureza do evangelho e da verdadeira ordem e vida cristã. A igreja tornou-se infestada de práticas e crenças pagãs e sincretista em sua teologia... Grandes segmentos tornaram-se cristo-pagãos.


Nenhum texto das Escrituras indica que os líderes eclesiásticos deveriam estipular alvos para o seu crescimento numérico da igreja. Ouçam como o apóstolo Paulo descreveu o processo de crescimento da igreja: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma cousa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1 Co 3.6,7).


Se nos preocuparmos com a profundidade de nosso ministério, Deus cuidará de sua largura. Se ministrarmos tendo em vista o crescimento espiritual, o crescimento numérico será aquilo que Deus tenciona que seja.


Afinal de contas, qual o benefício de um crescimento numérico que não está arraigado em um compromisso com o Senhorio de Cristo? Se as pessoas vêm à igreja primariamente por considerarem isso divertido, em breve hão de abandoná-la, tão logo acabe o entretenimento ou tão logo encontrem algo mais interessante. Desta forma, a igreja é forçada a participar de um ciclo vicioso, onde precisa constantemente sobrepujar cada espetáculo com algo maior e melhor.


As Raízes Pragmáticas do Movimento de Crescimento de Igreja.


O pragmatismo como filosofia de ministério ganhou ímpeto a partir do movimento de crescimento de igreja que floresceu nos últimos cinqüenta anos. Donald McGravan, o pai do moderno movimento de crescimento de igreja, foi um pragmatista descarado. Ele afirmou:


"Criamos métodos e políticas missionárias à luz do que Deus abençoou e à luz daquilo que Ele, obviamente, não abençoou. A indústria chama isso de “modificar operações à luz da realimentação”. Nada atrapalha tanto as missões transculturais quanto os métodos, instituições e políticas que deveriam atrair as pessoas a Cristo, mas não o fazem; que deveriam multiplicar as igrejas, mas não o fazem. Se um método não contribui para a glória de Deus e para a expansão da igreja de Cristo, jogue-o fora e arranje algo que o faça. Quanto aos métodos, somos ousadamente pragmáticos; a doutrina é algo diferente".


Como jovem missionário na Índia e sendo filho de missionários, McGravan percebeu que era comum ver organizações missionárias labutar na Índia durante muitos anos, e colher pouco ou nenhum fruto. A sua própria agência missionária plantou apenas vinte ou trinta pequenas igrejas em várias décadas de esforço missionário. McGravan, então, resolveu desenvolver uma estratégia para missões que observasse quais métodos produziriam resultados e quais não funcionavam. “De acordo com sua própria declaração no prefácio de um livro de sua co-autoria, na década de 30, ele se dedicou a ‘descartar teorias de crescimento de igreja que não têm bom êxito e a aprender e praticar modelos produtivos...’”


O pragmatismo de McGravan parece Ter sido motivado por uma legítima preocupação com mordomia. Ele “ficou assustado ao perceber que muitos dos recursos de Deus – humanos e financeiros – estavam sendo usados, sem que ninguém questionasse se o reino de Deus estava avançando ou não, através dos programas que eles estavam sustentando”. Mas o pragmatismo acabou se tornando a base filosófica para quase tudo que McGravan ensinou, e isso, por sua vez, tornou-se a agenda de todo o movimento moderno de crescimento de igreja.


McGravan fundou o Instituto de Crescimento de Igreja, que em 1965 se uniu à Escola Fuller de Missões Mundiais. A partir dali, os preceitos do pragmatismo têm alcançado praticamente todos os campos missionários do mundo.
C. Peter Wagner, professor do crescimento de igreja na Escola Fuller de Missões Mundiais, é o mais conhecido dos alunos de Donald McGravan. Atualmente, Wagner é o porta-voz mais profílico, se não o mais influente, do movimento de crescimento de igreja. Ele escreveu acerca do pragmatismo inerente ao movimento:


"O Movimento de Crescimento de Igreja sempre enfatizou o pragmatismo, e ainda o faz, embora muitos o tenham criticado. Não é o tipo de pragmatismo que compromete a doutrina ou a ética ou que desumaniza as pessoas, usando-as como instrumento para um determinado propósito. Entretanto, é um tipo de pragmatismo consagrado que examina impiedosamente os programas e as metodologias tradicionais, questionando-as com severidade. Se algum tipo de ministério em uma igreja não está atingindo os alvos tencionados, o pragmatismo consagrado diz que há algo de errado e precisa ser corrigido"


Wagner, como a maioria dos envolvidos no movimento de crescimento de igreja, reivindica que o “pragmatismo consagrado”, que ele advoga, não permite, comprometimento doutrinário ou ético. “A Bíblia não nos consente pecar, a fim de que a graça seja mais abundante, ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido, a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou”, Wagner destaca corretamente.


“Mas, com esta estipulação”, ele continua, “temos de perceber nitidamente que os fins, de fato, justificam os meios. O que mais poderia justificar os meios? Se o método que estou utilizando alcança o alvo a que me propus, por essa razão é um bom método. Se, por outro lado, o método não está atingindo o alvo, como posso justificar-me por continuar utilizando-o?”


Isso é verdade? Não, com toda certeza. Especialmente se “o alvo a que me propus” é um alvo numérico sem o aval bíblico ou se o “método que não está atingindo o alvo” é a pregação cristalina da Palavra de Deus. É precisamente esta maneira de pensar que está retirando a exposição bíblica do ministério cristão, substituindo-a por espetáculos de variedades.


Um best-seller recente dá um passo além:


"É... crucial termos em mente o princípio da comunicação cristã: o auditório, e não a mensagem, é soberano. Se nossa pregação almeja fazer com que as pessoas parem, em meio a uma agenda confusa, e reflitam sobre o que lhes estamos dizendo, nossa mensagem terá de se adaptar às necessidades do auditório. Quando pregamos algo que se baseia na proposição do pegue-ou-largue, em vez de uma sensibilidade e resposta às necessidades das pessoas, estas acabarão, invariavelmente, rejeitando nossa mensagem".


O que teria acontecido se os profetas do Antigo Testamento tivessem endossado essa filosofia? Jeremias, por exemplo, pregou durante quarenta anos sem ver qualquer resultado significativo. Pelo contrário, seus conterrâneos ameaçaram matá-lo, se não parasse de profetizar (Jr 11.19-23); sua própria família e amigos conspiraram contra ele (12.6); por não ser permitido casar-se, teve de sofrer uma solidão agonizante (16.2); houve conspirações secretas para matá-lo (18.20-23); foi ferido e colocado no tronco (20.1,2); foi espionado por amigos que buscavam vingança (v. 10); foi consumido por desgosto e vergonha, chegando a amaldiçoar o dia em que nasceu (v. 14-18); e por fim foi injuriado e considerado um traidor de sua própria nação (37.13,14). Ele foi açoitado e atirado em um calabouço, passando ali muitos dias sem comer (v. 15-21). Se um etíope não tivesse intercedido em seu favor, Jeremias teria morrido ali. Por fim, a tradição ensina que ele foi exilado para o Egito, onde foi apedrejado e morto por seu próprio povo. Jeremias não teve convertidos a apresentar como fruto de uma vida toda de ministério.


Suponhamos que Jeremias tivesse assistido um seminário sobre o crescimento de igreja e aprendido uma filosofia pragmática de ministério. Você acha que isso teria mudado seu estilo de ministério confrontador? Podem imaginá-lo apresentando um Show de variedades ou utilizando o humor para tentar conseguir o afeto das pessoas? Ele poderia Ter aprendido como reunir uma multidão apreciável, mas certamente não teria realizado o ministério para o qual Deus o chamara.


O apóstolo Paulo também não usou um método baseado em técnicas de marketing, embora alguns autodenominados experts tenham procurado mostrá-lo como modelo para o neopragmatismo. Um dos que advogam as técnicas de marketing afirma: “Paulo foi o maior de todos os peritos em táticas. Constantemente ele estudava as estratégias e táticas para identificar as que lhe permitiriam atrair o maior número de ‘candidatos’ e conseguir o maior número possível de conversões”. É claro que a Bíblia nada diz em respaldo a essa afirmação. Pelo contrário, o apóstolo Paulo evitou métodos engenhosos e artifícios que o conduzissem as pessoas a falsas conversões, através da persuasão carnal. Ele mesmo escreveu:


"Eu, irmãos, quando fui Ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi com fraqueza, temor e grande tremor que eu estivesse entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e, sim, no poder de Deus" (1 Co 2.1-5).


À igreja em Tessalônica ele relembrou:


"Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros" (1 Ts 2.3-6).


A exatidão bíblica é o único critério pelo qual devemos avaliar nossos métodos de ministério.


Qualquer filosofia de ministério do tipo “fins-que-justificam-os-meios” inevitavelmente comprometerá a doutrina, a despeito de qualquer proposição em contrário. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado, sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Em última análise, o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras.


Uma consideração da metodologia do movimento de crescimento de igrejas revela como isso acontece. O movimento estuda todas as igrejas que estão crescendo, até mesmo aquelas que possuem doutrinas falsas no âmago de seu ensino. Igrejas denominacionais liberais, seitas carismáticas extremadas e ditaduras de hiperfundamentalismo militante são observadas para o escrutínio dos especialistas. Às vezes, princípios de crescimento são tirados até mesmo das igrejas dos mórmons ou dos Salões do Reino das Testemunhas de Jeová. O especialista em crescimento de igreja procura características comuns a todas as igrejas que estão crescendo e advoga quaisquer métodos que pareçam estar produzindo resultados. E a questão principal é sempre o crescimento numérico.


Será que devemos crer que o crescimento em uma igreja não-cristã comprova que Deus está ali operando? Deveríamos utilizar a metodologia de grupos religiosos que corrompem o evangelho? Não é justo questionarmos se qualquer crescimento resultante de tais métodos é ilegítimo, sendo engendrado por meios carnais? Afinal, se um método demonstra ser bem-sucedido tanto para uma determinada seita quanto para o povo de Deus, não existe razão para supormos que os resultados positivos são sinônimo da bênção de Deus.


Algo que está completamente ausente da maior parte da literatura sobre crescimento de igreja é uma análise crítica da eficiente plataforma doutrinária sobre a qual muito do crescimento da igreja contemporânea é construído. Certo autor, falando acerca de Peter Wagner, disse:
"Wagner não faz avaliação negativa de quem quer que seja. Ele fez sua carreira a partir da descoberta do que é bom em igrejas que estão crescendo e em ratificar isso, sem fazer muitas perguntas críticas. Isso lhe permite apresentar como modelos de vida de igreja não apenas as Igrejas Vineyard, de John Wimber, mas também a Catedral de Cristal, de Robert Schuller, toda a denominação Batista do Sul e qualquer outra denominação que esteja em crescimento".


O fato de uma igreja estar crescendo é freqüentemente confundido com a aprovação divina. Afinal, as pessoas raciocinam, por que ser crítico sobre qualquer ensinamento que Deus está abençoando com crescimento numérico ? Não é melhor tolerar as imperfeições doutrinárias e os lapsos de ortodoxia, por amor ao crescimento e à unidade? Desta forma, o pragmatismo amolda e dá forma à perspectiva doutrinária das pessoas.
O próprio Peter Wagner, por exemplo, anteriormente um não-carismático, mudou seu pondo de vista a fim de aceitar o movimento de sinais e maravilhas e o movimento da “Terceira Onda”, por razões que são amplamente pragmáticas. E ele é bastante franco a esse respeito:


"Orgulho-me de estar entre os que advogam o evangelismo de poder como uma ferramenta importante para o cumprimento da grande comissão em nossos dias. Uma das razões por que estou tão entusiasmado é que o evangelismo de poder está produzindo resultados. Em geral, o evangelismo mais eficaz do mundo contemporâneo é o que vem acompanhado por manifestações de poder sobrenatural".


É óbvio, então, que o pragmatismo de Wagner moldou a sua doutrina e não vice-versa.


Ele admite isso. Declara que a metodologia do movimento de crescimento de igrejas é “fenomenológica” e não teológica. Wagner admite que essa abordagem “pode parecer totalmente subjetiva para teólogos tradicionais”. E continua: “Como ponto de partida, o crescimento de igreja sempre focaliza o ‘é’ antes de olhar para o ‘deveria ser’... O que os cristãos experimentaram acerca da obra de Deus no mundo e em suas vidas nem sempre é precedido de cuidadosas racionalizações teológicas. Muitas vezes, a seqüência é exatamente o oposto: a teologia é moldada pela experiência cristã”.


Sendo este o caso, não é sem sentido a afirmação de Wagner ao falar que seu pragmatismo “não é do tipo que compromete a doutrina” ? Afinal, se a experiência sugere que sinais e maravilhas são ferramentas eficazes para o crescimento de igreja e se é legítimo permitir que nossa experiência molde nossa teologia, é lógico que alguém modifique sua doutrina – como fez o próprio Wagner – para acomodar-se a alguma observação pragmática e heurística. Deve-se, então, simplesmente, encontrar uma forma de se reinterpretar ou adaptar as Escrituras a fim de que estas se encaixem em qualquer esquema doutrinário que o pragmatismo pareça impor.


É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático, ao mesmo tempo. O pragmatista deseja saber o que produz resultados. O pensador bíblico se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico.


A ERA DO PRAGMATISMO
Não obstante, o pragmatismo filosófico nunca tem estado mais popular nas igrejas evangélicas. O movimento de crescimento de igrejas, que por muitos anos foi um importante fator na atividade missionária mundial, está agora exercendo tremenda influência no evangelicalismo ocidental. As galinhas do pragmatismo estão voltando ao lar para se empoleirarem. As igrejas da América do Norte estão, às centenas, experimentando as metodologias pragmáticas, e o resultado tem sido uma explosão de interesses em técnicas inovadoras a respeito de crescimento de igreja. O movimento de crescimento de igrejas fez uma aliança extra-oficial com aqueles que crêem ser o evangelismo primordialmente uma aventura de marketing.


O pragmatismo na igreja reflete bem o espírito de nossa época. Livros com títulos tais como: Marketing seu Próprio Ministério, Marketing a Igreja, e O Desenvolvimento do Marketing Eficaz e das Estratégias de Comunicação para Igrejas são a última moda. A indústria publicadora cristã vem produzindo, para líderes de igrejas, conselhos e mais conselhos tirados de campos seculares de estudo – psicologia, marketing, administração, política, entretenimento e negócios – enquanto os comentários, livros de auxílio para estudo bíblico e livros acerca de questões bíblicas estão em declínio.


O modelo para o pastor contemporâneo não é mais o profeta nem o pastor, é o executivo de corporação, o político ou, pior ainda, o apresentador de programas de “bate-papo” na televisão. A maioria das igrejas contemporâneas estão preocupadas com índices de audiência, pesquisas de popularidade, imagem corporativa, estatísticas de crescimento, lucro financeiro, pesquisas de opinião pública, gráficos populacionais, dados de recenseamento, tendências da moda, status das celebridades, a lista dos dez mais e outras questões pragmáticas. O que está desaparecendo é a paixão da igreja pela pureza e pela verdade. Ninguém parece se importar, desde que a reação das pessoas seja entusiástica.


Tozer percebeu que o pragmatismo havia se introduzido furtivamente na igreja de seus dias. Ele escreveu: “Digo sem hesitação que uma parte, uma grande parte, das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciados pelo pragmatismo, mas parecem totalmente dominados por ele”. Tozer descreveu o perigo que até mesmo o pragmatismo “consagrado” representa para a igreja:


"A filosofia pragmática... não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos, buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los. E, quando descobre algo que tem êxito, logo encontra um texto bíblico para justificá-lo, “consagra-o” ao Senhor e vai em frente. Em seguida alguém escreve um artigo em uma revista, depois sai um livro, e, finalmente, o inventor recebe um título de honra. Após tudo isso, qualquer indignação quanto à sua biblicidade ou até mesmo quanto ao seu valor moral é completamente rejeitada. Não há como se argumentar contra o sucesso. O método produz resultados, portanto, deve ser bom".


UMA FILOSOFIA FALIDA
Você percebe como esta nova filosofia necessariamente corrompe a sã doutrina? Descarta o próprio método de Jesus – pregar e ensinar – como instrumentos primordiais do ministério, substituindo-os por metodologias completamente vazias de conteúdo. Ela existe independentemente de qualquer credo ou canon. Aliás, evita dogmas ou convicções fortes, considerando-os como divisivos, indecorosos ou impróprios. Rejeita a doutrina como algo acadêmico, abstrato, estéril, ameaçador ou simplesmente não-prático. Em vez de ensinar o erro ou negar a verdade, ela faz algo bem mais sutil e igualmente eficaz do ponto de vista do inimigo. Não se preocupa com o conteúdo. Não ataca a ortodoxia frontalmente, mas presta culto à verdade apenas da boca para fora, enquanto mina, em silêncio, os alicerces da doutrina. Em vez de exaltar a Deus, esta filosofia deprecia as coisas que são preciosas para Ele. Nesse sentido, o pragmatismo se apresenta como um perigo mais sutil do que o liberalismo que ameaçou a igreja na primeira metade do século XX.


O liberalismo atacou a pregação bíblica. Um dos vultos liberais de maior influência nos Estados Unidos, no início do século XX, foi Harry Emerson Fosdick, que escreveu: “Pregadores que tomam textos da Bíblia e depois apresentam seu conteúdo histórico, seu significado lógico no contexto, seu lugar na teologia do escritor, anexadas a reflexões práticas, estão empregando mal a Bíblia.” A mesma preocupação pragmática que invadiu o evangelicalismo de nossos dias levou Fosdick a seu ódio pela exposição bíblica: "Com certeza, poderia qualquer outro procedimento estar mais predestinado à monotonia e à futilidade? Aliás, quem poderia afirmar que pelo menos um, dentre cem, dos ouvintes estaria preocupado com o que Moisés, Isaías, Paulo ou João queriam dizer naquela passagem específica ou que tenha vindo à igreja profundamente interessado em tais veículos? Ninguém que conversa com o público presume que o interesse vital das pessoas está centralizado no significado de palavras ditas há dois mil anos".


A sugestão de Fosdick foi que os pregadores deveriam começar pelas necessidades sentidas no auditório: “Que eles não concluam, e, sim, comecem pensando nas necessidades vitais do auditório; e que todo o sermão seja organizado em torno de um esforço construtivo para atender estas necessidades”.


“Tudo isso manifesta bom senso pela psicologia”, escreveu Fosdick, apelando ao pragmatismo como justificativa. “Todo mundo usa esse estilo, desde professores a anunciantes de alto nível. Por que tantos pregadores persistem em um costume antiquado e negligenciam isso?”


Trata-se exatamente da sabedoria convencional da “igreja amigável”, norteada por marketing. Levando em conta as necessidades sentidas e aborda-as por meio de tópicos. Se de algum modo as Escrituras são utilizadas, é apenas para ilustração – precisamente como advogou Fosdick. É simplesmente uma acomodação a uma sociedade viciada em auto-estima e entretenimento. A diferença é que agora este conselho provém de dentro do evangelicalismo. Segue o que está na moda, mas pouco se preocupa com o que é verdadeiro. Encaixa-se bem ao liberalismo, de onde procede. Porém, está totalmente fora de lugar entre os cristãos que professam crer que as Escrituras são a Palavra de Deus inspirada.


Um recente “best-seller” evangélico alerta os leitores a se colocarem de prontidão contra pregadores cuja ênfase está no interpretar as Escrituras e não no aplicá-las. Espere um pouco. Isto é um conselho sábio? Não, de modo algum. Não existe o perigo de a doutrina ser irrelevante; a verdadeira ameaça e a abordagem não doutrinária em busca de relevância sem doutrina. O cerne de tudo que é verdadeiramente prático encontra-se no ensino das Escrituras. Não tornamos a Bíblia relevante; ela o é, inerentemente, pelo simples fato de ser a Palavra de Deus. Afinal, como pode qualquer coisa que Deus diz ser irrelevante (2 Tm 3.16,17) ?


A IGREJA SEMELHANTE A UM BARZINHO
O pragmatismo radical da “abordagem amigável” rouba da igreja o seu papel profético. Transforma-a em uma organização popular, que recruta seus membros através de oferecer-lhes um ambiente de calor humano e amizade, no qual as pessoas comem, bebem e são entretidas. A igreja acaba funcionando mais como um clube do que como uma casa de adoração.


Isso não é um exagero. Um recente “best-seller” que advoga idéias pragmáticas de crescimento de igreja incluiu esta sugestão:


Lembra-se como o bar da esquina costumava ser o lugar onde os homens da vizinhança se reuniam para assistir na TV os grandes eventos esportivos, tais como lutas e campeonatos mundiais de box? Embora os tempos tenham mudado, o mesmo conceito pode ser usado pela igreja para causar um grande impacto. A maior delas possui um grande auditório que poderia ser utilizado para reuniões especiais ao redor dos grandes eventos da mídia – esportes, debates políticos, entretenimentos especiais e coisas semelhantes.


O cenário é construído em torno de pressuposições que são claramente antibíblicas. A igreja não é um clube à busca de novos sócios. Não é o barzinho do bairro onde a vizinhança se reúne. Não é um grêmio estudantil à procura de calouros. Não é um centro comunitário onde se realizam as festas. Não é um clube de campo para as massas. Não é um comitê eleitoral onde os problemas da comunidade são discutidos. Não é uma corte judicial para corrigir as injustiças sociais. Não é um fórum aberto, ou uma convenção política, ou até mesmo uma cruzada evangelística.


A igreja é o corpo de Cristo (1 Co 12.27), e as reuniões da igreja são para adoração e instrução. O único alvo legítimo da igreja é “o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12) – crescimento vital, não apenas expansão numérica.


A idéia de que as reuniões da igreja deveriam ser usadas para encantar ou atrair os não-cristãos é um conceito relativamente novo. Nas Escrituras, não há qualquer sugestão quanto a isso; aliás, o apóstolo Paulo falou da presença de incrédulos na igreja como um evento excepcional (1 Co 14.23). Hebreus 10.24,25 indica que os cultos da igreja são para o benefício dos crentes e não dos incrédulos: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos”.


Atos 2.42 mostra-nos o padrão que a igreja primitiva seguia, quando se reunia: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”. Observe que adorar a Deus e encorajar os irmãos eram as prioridades da igreja primitiva. A igreja se reunia para a edificação e se dispersava para evangelizar o mundo.


Nosso Senhor comissionou seus discípulos para evangelizarem da seguinte forma: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). Cristo deixou evidente que a igreja não deve esperar que o mundo venha ou que deve convidá-lo a vir às suas reuniões; Ele mostrou com clareza que a igreja deve ir ao mundo. É a responsabilidade de todo crente. Temo que uma abordagem que enfatiza a apresentação do evangelho de uma forma facilitada dentro da igreja, exime o crente de sua obrigação pessoal de ser uma luz no mundo (Mt 5.16).


Novamente ressaltamos que a proclamação da Palavra de Deus deve ser central na igreja (1 Co 1.23; 9.16; 2 Co 4.5; 1 Tm 6.2; 2 Tm 4.2). “Quer seja oportuno, quer não”, é tarefa dos ministros de Deus corrigir, repreender, exortar com toda a longanimidade e doutrina (2 Tm 4.2). O pastor que coloca o entretenimento acima da pregação bíblica e vigorosa abdica da responsabilidade primária de sua função, ou seja, apegar-se “à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tt 1.9).


A estratégia da igreja nunca foi de apelar ao mundo utilizando os termos do mundo. Não se espera que as igrejas estejam a competir pelo consumidor no mesmo nível que uma cerveja famosa ou uma grande rede de televisão. Não há como estimularmos crescimento genuíno via persuasão fascinante ou técnicas engenhosas. É o Senhor quem acrescenta as almas à igreja (At 2.47). Metodologias humanas não podem acelerar ou suplantar o processo divino. Qualquer crescimento adicional que venha a produzir não passará de uma pobre e infrutífera imitação.
Crescimento artificial ou não-natural, no reino biológico, pode causar deformação – ou pior, câncer. Crescimento sintético, no reino espiritual, é genuinamente doentio.


BOA TÉCNICA? NÃO. MÁ TEOLOGIA !
A filosofia que une técnicas de marketing com a teoria de crescimento da igreja resulta de uma péssima teologia. Pressupõe que se você empacotar adequadamente o evangelho, as pessoas serão salvas. Esta idéia tem suas raízes no arminianismo, que faz da vontade humana, e não do Deus soberano, o fator decisivo na salvação. Fala da conversão como uma “decisão por Cristo”. Essa linguagem e doutrina começaram a permear o ministério moderno. O alvo do ministério norteado por marketing é uma decisão humana imediata, em lugar de uma transformação radical do coração, operada pelo Deus Todo-Poderoso, por meio da obra do Espírito Santo em trazer convicção e através da verdade da Palavra. Uma crença sincera na soberania de Deus na salvação findaria muitas das tolices que hoje acontecem nas igrejas.


Além do mais, toda essa abordagem de agência publicitária com relação à igreja corrompe o cristianismo e atende às concupiscências carnais que estão arraigadas na estrutura do sistema mundano (1 Jo 2.16). Temos uma sociedade repleta de pessoas que desejam o que querem, quando o querem.


Estão presos a seu próprio estilo de vida, recreação e entretenimento. Querem conforto, felicidade e sucesso. E, quando a igreja apela a esses desejos egoístas, apenas alimenta um fogo que impede a verdadeira piedade.


A igreja se acomodou à nossa cultura ao inventar um tipo de cristianismo onde o tomar a cruz tornou-se opcional, ou até mesmo, impróprio. De fato, muitos dos membros das igrejas do ocidente crêem que servirão melhor a Deus se confrontarem o mundo o menos possível.


Tendo incorporado os valores do mundo, o cristianismo em nossa sociedade encontra-se moribundo. O mundanismo e a autoindulgência vêm sutil, porém efetivamente, devorando o coração da igreja. O evangelho freqüentemente pregado em nossos dias está tão distorcido que oferece o crer em Cristo como nada mais do que um simples meio para o contentamento e a prosperidade. O escândalo da cruz (Gl 5.11) tem sido sistematicamente removido, de modo que a mensagem se torne mais aceitável aos incrédulos. A igreja, de alguma forma, concebeu a idéia de que pode declarar paz com os inimigos de Deus.


E quando, em cima disso, rockeiros punk, ventrílocos, palhaços, atiradores de facas, lutadores profissionais, levantadores de peso, comediantes, dançarinos, malabaristas de circo, artistas de rap, atores e celebridades do “Show Business” assumem o lugar do pregador, a mensagem do evangelho recebe um golpe catastrófico: “E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14)


Creio que podemos ser criativos e inovadores quanto à forma de apresentarmos o evangelho, mas precisamos Ter o cuidado de harmonizar nossos métodos com as profundas verdades espirituais que estamos procurando transmitir. É muito fácil trivializarmos a mensagem sagrada. Precisamos fazer com que a mensagem, e não o veículo em si, seja o cerne daquilo que desejamos comunicar ao auditório.


Não se precipite em abraçar as tendências das megaigrejas cheias de tecnologia. Não desdenhe a adoração e a pregação convencionais. Não precisamos de abordagens engenhosas para que as pessoas sejam salvas (1 Co 1.21). Precisamos apenas voltar a pregar a verdade e plantar a semente. Se formos fiéis nisso, o solo que Deus já preparou haverá de produzir fruto.


Mas, se a igreja não se voltar para o cristianismo bíblico, logo testemunharemos o fim de nossa influência em nome de Cristo. Todos se admiram em ver quão rapidamente a face de nosso mundo está se alterando. Ao mesmo tempo, poucos cristãos percebem quão assustadoramente rápido a igreja está caminhando rumo ao declínio. Podemos estar vivendo os últimos dias do evangelicalismo bíblico como força significativa em nossa nação. Não é fantasioso imaginar que daqui a uns vinte anos haverá missionários do mundo oriental vindo evangelizar os países ocidentais.


Admitir essa possibilidade me deixa profundamente preocupado. Nós que conhecemos e amamos a verdade precisamos ser a voz profética do nosso Deus e proclamar a santidade de seu nome. Precisamos exigir que qualquer esforço feito em nome de nosso Senhor manifeste também a integridade de sua natureza. Ele é “Santo, Santo, Santo” (Is 6.3) e precisa ser representado dessa forma. Qualquer outra coisa não é digna de sua grandeza, majestade e santidade.


O IRROMPER

DE UMA LEPRA

Ah ! Senhores, pode Ter havido uma época em que os cristãos eram por demais precisos, mas não é assim em meus dias. Pode ter existido uma coisa espantosa chamada rigidez Puritana, mas eu nunca a vi. Agora estamos bem livres desse mal, se é que ele existiu. Já passamos da liberdade para a libertinagem. Ultrapassamos o dúbio e caímos no perigoso, e ninguém pode profetizar onde haveremos de parar. Onde está a santidade de Deus hoje?... Ela não passa de algo turvo, tal qual um paio que fumega; é mais um objeto de ridicularização do que de reverência.


Será que o grau de influência de uma igreja não pode ser medido por sua santidade? Se grandes hostes daqueles que professam ser cristãos fossem , quer em sua vida familiar, quer em seus negócios, santificados pelo Espírito, a igreja se tornaria uma grande potência no mundo. Os santos de Deus poderão lamentar juntamente com Jerusalém, ao perceberem que sua espiritualidade e santidade estão em níveis baixíssimos! Outros podem considerar isto como algo que não trará qualquer conseqüência; porém, nós o vemos como o irromper de uma lepra.


Eis o desafio para a igreja de Cristo: “Purifiquemos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7.1). Não é a engenhosidade de nossos métodos, nem as técnicas de nosso ministério, nem a perspicácia de nossos sermões que trazem poder ao nosso testemunho. É a obediência a um Deus santo e a fidelidade ao seu justo padrão em nosso viver diário.


P R E C I S A M O S     A C O R D A R !

O declínio é um lugar perigoso para ficarmos. Não podemos ser indiferentes. Não podemos continuar em nossa busca insensata por prazer e auto-satisfação. Somos chamados a lutar uma batalha espiritual e não poderemos ganhá-la apaziguando o inimigo. Uma igreja fraca precisa se tornar forte, e um mundo necessitado precisa ser confrontado com a mensagem da salvação; e talvez haja pouco tempo para isso. Como Paulo escreveu à igreja em Roma: “Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz (Rm 13.11,12).


Tua Fé é Autêntica ou Falsa ?

*Cópia de texto produzido pelo Rev. Moura Gonçalves - Lider Presbiteriano em New York - USA.

Veja mais sobre esse tema>
A IGREJA REMANESCENTE> >"http://www.youtube.com/v/toc4FWw_UWU&hl=pt_BR&fs=1&rel=0">

domingo, 28 de fevereiro de 2010

ADVENTISTAS E MUÇULMANOS: CINCO CONVICÇÕES




*Há três anos, o pastor Jan Paulsen, presidente da Associação Geral, pediu que eu trabalhasse no desenvolvimento das relações inter-religiosas com líderes das grandes religiões do mundo. Uma vez que os adventistas são dezessete milhões em mais de duzentos países, isso faz sentido – e, realmente, é isso que nossa missão requer − que nos esforcemos para compreender a fé de outros povos, para que possamos compartilhar com eles os nossos valores e a esperança no retorno de Jesus.


Durante esses três anos, tenho me concentrado em fazer contatos com líderes muçulmanos. Lenta, mas regularmente, várias convicções criaram raízes profundas em minha mente.


Construindo Blocos


Primeiro, o Senhor está preparando o mundo muçulmano para Sua segunda vinda. Há alguns meses, recebi uma mensagem totalmente fora do meu quadro de referência: um xeique, líder espiritual de muitos milhares de muçulmanos em vários países, afirmou que Deus havia lhe dado uma visão sobre os adventistas. Ele fez contatos com alguns adventistas leigos e agora estava pedindo para se encontrar com líderes da Associação Geral. O que o levou a fazer tal pedido?


Após me consultar com o pastor Paulsen e outras pessoas, foi decidido que alguns de nós, da sede mundial, deveríamos atendê-lo, esperando entrar em sérias discussões, se eles permitissem. Para me preparar para tal encontro, fiz uma viagem para conhecer o xeique. As nove horas gastas com ele, ao longo de dois dias, foram, para dizer o mínimo, memoráveis.


Logo no início do período que passamos juntos, o xeique me convidou para ir à sua casa. Desde o primeiro momento, estabelecemos um relacionamento bom e amigável. Estando nós dois, apenas, sentados em sua sala, quase que imediatamente ele fez uma pergunta a queima-roupa: �


Muslims quickly size up a person. If they find that he or she is honest and genuine, the respond in kind.


“− Você acredita na segunda vinda de Jesus?


− Sim − respondi.


"– Quando Ele virá?


– Em breve.


“– Mas quão breve?


– Em breve. Nós, adventistas, não marcamos data para a Segunda Vinda, mas cremos que será em breve.


"− Você acha que Jesus voltará neste século?


− Eu não sei. Pode ser que Jesus volte muito antes do que muita gente, inclusive os adventistas, espera.


"− Eu creio que Jesus voltará neste século − disse ele.


"− Nos escritos sagrados, encontro uma série de sinais que indicam quando Ele voltará, e quase todos os sinais já se cumpriram.


Conversamos, por duas horas, sobre o retorno de Jesus.
Ali estava alguém que, não apenas cria na Segunda Vinda, mas cria apaixonadamente. Na visão do xeique, o mundo de hoje é uma terrível confusão que se agrava a cada dia; somente o retorno de Jesus pode consertar as coisas. 
No dia seguinte, o xeique e eu nos encontramos para considerar que assuntos deveriam ser a base da discussão com o grupo maior. Quase imediatamente concordamos na Segunda Vinda. Decidimos solicitar aos dois lados que preparassem pequenas dissertações sobre o tema geral da volta de Jesus, sobre os sinais da Segunda Vinda e sobre o anticristo. Então, chegou o momento pelo qual eu estava esperando.�


− Senhor − perguntei −, é verdade que o senhor recebeu uma visão sobre os Adventistas do Sétimo Dia?


"− Não apenas uma, mas três – foi sua resposta.


"– As três continham a mesma mensagem: os Adventistas do Sétimo Dia são o verdadeiro Povo do Livro (um termo do Corão, designando os seguidores de Alá, que não são muçulmanos). Os Adventistas já são o povo de Deus, por isso, não tente convertê-los. Ao contrário, trabalhe com eles.


Algumas semanas mais tarde, foi convocada a reunião com o grupo maior. Mais uma vez o xeique abriu as portas de sua casa para o início do período em que estaríamos juntos. A hospitalidade e a simpatia foram insuperáveis enquanto participávamos de um generoso banquete. Quando começamos a apresentação dos trabalhos que havíamos preparado, o nível de interesse foi intenso; os muçulmanos absorviam cada palavra de seus convidados adventistas. A avidez e a expectativa foram palpáveis naquela noite e no dia seguinte.


Vários meses se passaram desde que nos reunimos com os muçulmanos. Ainda estou processando aquele evento, tentando descobrir o seu significado e o que o Senhor tem em mente para a Sua igreja. Foi um acontecimento extraordinário. A avidez para aprender mais e a fervorosa crença de que Jesus voltará em breve despertaram em mim o desejo de encontrar tal espírito entre meus irmãos e irmãs adventistas.


Sim, há importantes diferenças de compreensão a respeito do retorno de Jesus. O básico, porém, o fato essencial, permanece: um grande número de muçulmanos aguarda a volta de Jesus, e para breve.


O Que Temos em Comum


Passo agora para uma segunda convicção: os adventistas do sétimo dia estão excepcionalmente bem posicionados para levar o evangelho aos muçulmanos. Os adventistas têm as seguintes vantagens sobre outros cristãos para levar as boas novas aos muçulmanos: O lugar das Escrituras. Baseamos nossas práticas e crenças na Bíblia e na Bíblia somente. Essa devoção e lealdade à Palavra revelada impressionam os muçulmanos, que creem que o Corão é a revelação de Deus. Estilo de Vida. Nossa abstinência de carne de porco e álcool é uma boa surpresa para os muçulmanos que não estão acostumados a associar os cristãos a essas práticas. Isso significa que cristãos e muçulmanos podem participar de uma refeição juntos, sem apreensões – fator importante para se estabelecer as bases de um relacionamento. Além dessas práticas, a ênfase adventista na simplicidade e modéstia soa sincera aos muçulmanos, cuja religião é praticada nas 24 horas dos 7 dias da semana.


Preocupação com os últimos dias. O assunto do juízo final, a segunda vinda de Jesus e a ressurreição desempenham um papel importante no pensamento islâmico. Para muçulmanos sérios, toda 
a vida é vivida em função do julgamento final. Seus ensinos diferem 
dos nossos em importantes aspectos, mas o pensamento Central é comum e apresenta-se como oportunidade para que os adventistas ofereçam uma instrução esclarecedora de sua compreensão.


O sábado. O Corão menciona o sábado e sob um aspecto positivo; ele não menciona o primeiro dia da semana como o dia de culto. Nossa observância do sábado, estampada em nosso próprio nome, nos distingue como obedientes à revelação divina.


Conflito cósmico. Os muçulmanos compreendem que os acontecimentos na Terra têm como pano de fundo uma luta cósmica entre o bem e o mal, em que Lúcifer, Satanás e os seres caídos desempenham papel importante. Esse quadro geral tem paralelos óbvios, associado a diferenças importantes, como a compreensão adventista do grande conflito entre Cristo e Satanás.


A Criação. Tanto muçulmanos como adventistas creem na doutrina da criação e rejeitam a teoria da evolução.


Saúde. Os muçulmanos têm muito interesse na saúde e no estilo de vida saudável. Os adventistas e muçulmanos facilmente fazem parceria para melhorar a qualidade de vida. No Oriente Médio, os adventistas administram uma série de hospitais e clínicas em países muçulmanos, e o Centro Médico da Universidade de Loma Linda tem parceria contínua com o Reino da Arábia Saudita e com o Afeganistão.


Relação com Israel. O fato de que, como igreja, os adventistas se recusam a se identificar com qualquer lobby geopolítico é uma enorme vantagem para o mundo muçulmano. Não fazemos parte do lobby pró-Israel: cremos na justiça para todos os povos, inclusive para israelitas e palestinos.


Um movimento de reforma. Compreendemos que nossa mensagem não é nova, mas um retorno aos ensinos da Bíblia. Estamos completando a reforma parcial iniciada por Lutero, Calvino e muitos fiéis do passado. Os muçulmanos também se consideram parte de uma obra de reforma.


Essas novas características adventistas nos colocam em uma posição única para estabelecer contato com os muçulmanos em todos os níveis e para avançar a divina missão a nós confiada. Não somos, porém, muito conhecidos no mundo muçulmano; na verdade, não somos nada conhecidos. Quando muçulmanos ouvem sobre os cristãos, pensam imediatamente em homens e mulheres consumidores de carne de porco, de álcool, de vida sem princípios e que são a favor de Israel.


Talvez nosso maior desafio em relação aos muçulmanos é ensiná-los sobre quem somos e o que defendemos. Quando isso for feito, a atitude mudará de descrença para admiração, apreciação e aceitação calorosa.


Quando me encontro com líderes muçulmanos, enfatizo o fato de que prefiro ser identificado como adventista em vez de cristão. Para os muçulmanos, o nome “cristão” leva em si associações negativas, associações que não caracterizam um adventista do sétimo dia. Por isso, prefiro evitá-las. E “adventista” sintetiza bem a identidade de quem somos, de nossa esperança no retorno de Jesus e a consciência do divino chamado para levar essa mensagem ao mundo.


Papel da Profecia


A terceira convicção resulta diretamente da segunda convicção: a profecia pode ser uma abordagem útil para despertar o interesse dos muçulmanos. Esse tem sido o caso com o xeique e seus colegas. Embora o primeiro contato com os muçulmanos tenha vindo por intermédio de um ato espontâneo de bondade de um membro leigo adventista, o interesse subsequente veio por um indivíduo com o qual foram compartilhadas as profecias bíblicas, primeiro no lar de um muçulmano ajudado por ele e, posteriormente, a convite do xeique, na mesquita.


Na primeira noite na mesquita, um adventista abordou uma importante profecia para o mundo todo, incluindo o islâmico. Ele explicou por que nós, adventistas do sétimo dia, temos uma compreensão que o resto do mundo não tem. Enquanto falava das profecias da Bíblia, naquela primeira noite, os muçulmanos responderam sem reservas. Nas apresentações seguintes, ele seguiu o caminho convencional, começando com Daniel 2, e mais tarde, abordando o livro do Apocalipse.


As profecias são importantes na conversa com os muçulmanos, pois dão credibilidade à Bíblia. Embora o Corão aponte para a Bíblia, o muçulmano tradicional defende que ele está corrompido e grande parte o ignora.


Cuidado com o Preconceito


Uma quarta convicção diz respeito a mudanças que precisam ocorrer entre os adventistas: embora o Senhor tenha confiado a nós uma mensagem e um estilo de vida que é bem atrativo aos muçulmanos, devemos nos submeter a uma renovação significativa em nossas atitudes e em nossa vida espiritual, se quisermos que o Senhor nos use como é Seu propósito.


Os muçulmanos sofrem preconceito generalizado no Ocidente. Inevitavelmente, os adventistas também são afetados pelos sentimentos expressos pela mídia de massa. Como resultado, pastores e membros, principalmente, não se preocupam em trabalhar com muçulmanos; além disso, as congregações adventistas não estão prontas para recebê-los em seu meio. De fato, alguns adventistas têm preparado livros e DVDs que pintam o Islã com traços fortemente negativos. Entre os estereótipos negativos e mitos sobre os muçulmanos a que nosso povo está sujeito, estão os seguintes: O islamismo é uma religião violenta e a maioria dos muçulmanos é, portanto, propensa à violência. O islamismo tem um componente de violência que também pode ser encontrado em outras religiões. Esse componente, entretanto, representa apenas uma pequena percentagem dos muçulmanos. O Instituto Gallup realizou uma pesquisa maciça entre os muçulmanos de todo o mundo e entrevistou cerca de trinta mil pessoas. Os resultados mostraram que noventa e três por cento dos muçulmanos rejeitam a violência. “Alá” é o nome de uma divindade pagã. Esse mito é rapidamente desmentido pelo simples estudo da etimologia. “Alá” é simplesmente o termo árabe para Deus, e era tanto usado 
por cristãos árabes, antes de Maomé, como o é hoje. Porque 
o Islamismo nasceu entre os árabes e o Corão foi escrito 
em árabe, inevitavelmente o nome “Alá” foi adotado para designar Deus. Por causa de suas altas taxas de natalidade, os muçulmanos, em breve, superarão os cristãos em número, se tornarão a religião majoritária em vários países da Europa. Um DVD, que tem circulado amplamente, assustou alguns adventistas que aceitaram suas ideias sem subsídio. De fato, o DVD mostra a invasão sem violência do Ocidente pelos muçulmanos, por meio de grandes famílias, dominando a cultura, em pouco tempo. Apesar da apresentação gráfica, o argumento é falho. São dados coletados ao acaso, com suposições não comprovadas e que ignoram as evidências contrárias à sua tese.


Prontos para a Renovação


A convicção final é, talvez, a mais surpreendente de todas: o fato de levarmos a sério nossa missão entre os muçulmanos tem o potencial de renovar e reformar a Igreja Adventista. IAinda estou impressionado com a paixão do xeique pela Segunda Vinda e pelo seu senso de iminência. Eu me pergunto: Será que Deus está enviando um chamado ao despertamento do Seu povo adventista?


O evangelismo adventista entre os muçulmanos só acontecerá quando nos humilharmos, permitindo que o Senhor amoleça nosso coração e derrube nosso preconceito. O Senhor precisa colocar dentro de nós um profundo amor pelos muçulmanos e um desejo ardente de vê-los conosco na caminhada para o Céu. Ele precisa fazer com que nossas igrejas os aceitem calorosamente e de braços abertos. Só Ele pode fazer isso. Tais mudanças significam uma Igreja Adventista renovada e reformada.


Minha experiência com os muçulmanos é pequena, mas já testemunhei o poder do amor. O encontro com o xeique, que progrediu num ritmo tão surpreendente, estava enraizado num gesto generoso de um adventista que refletia abertamente o amor e a boa vontade. Tenho observado que os muçulmanos analisam rapidamente uma pessoa, e se julgam que ele ou ela é genuinamente honesto, respondem com bondade. Recentemente conheci uma empresária adventista que sente a responsabilidade de trabalhar com muçulmanos. Isso nem sempre foi assim; de fato, ela cresceu não gostando desse povo, mas o Senhor mudou seu coração. Ela confidenciou que antes usava muitas joias, mas quando começou a se relacionar com os muçulmanos, por causa da ênfase que dão à modéstia, sentiu que deveria tirar suas jóias e, mais tarde, abrir mão delas. Essa, talvez, seja uma parábola do que pode acontecer em grande escala com os adventistas, ao se relacionar com os muçulmanos.







*William G. Johnsson é assistente do 
presidente da Associação Geral para as relações interdenominacioais.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

COMPROMISSO COM O SÁBADO

(cópia de texto do site http://www.advir.com.br/)

Lendo a revista Exame do mês de julho de 2009, encontrei um artigo que me chamou muito a atenção. A matéria dessa revista que é importante referência no mundo dos negócios, trazia o título: “O sócio cristão de Elie Horn”. Como não é comum essa abordagem relacionando religião e negócios, olhei com atenção e fiquei impressionado com o conteúdo.


Denise Carvalho, autora do texto (29/7/2009, p. 52), apresenta uma sociedade criada entre os empresários Fábio Cury e Elie Horn. Ao descrevê-los e apresentar seus negócios, ela diz: “Entre os empresários de ascendência árabe residentes no Brasil, o engenheiro Fábio Cury é, provavelmente, um dos menos religiosos… Embora tenha sido batizado, feito a primeira comunhão e casado na igreja, Cury faz parte do grupo dos autodenominados ‘católicos não praticantes’… Como tantos brasileiros, ele só pisa numa igreja hoje para assistir a missas de sétimo dia, batizados e casamentos. Mas nos últimos dois anos Cury se tornou rigorosamente obediente a determinados preceitos religiosos – não aos dele, mas aos do empresário sírio de fé judaica Elie Horn, dono da Cyrela, a maior incorporadora e construtora do país. Desde que Horn se tornou seu sócio, em 2007, Cury fez algumas adaptações na maneira de conduzir sua empresa. A principal delas diz respeito ao sistema de vendas. Da tarde de sexta-feira ao pôr do sol do sábado, assim como acontece na própria Cyrela, nenhum negócio é fechado. Nesse período, todos os 124 funcionários de Cury são proibidos de assinar contratos e receber cheques, mesmo correndo o risco — por sinal, alto — de perder a venda. No mercado imobiliário, 40% dos negócios são fechados aos sábados. ‘Fiquei preocupado por achar que perderíamos negócios’, diz Cury. ‘Mas deu certo. Os clientes ficam impressionados com a postura de respeito à religião e assinam o contrato nos outros dias’.”



Apesar de terem outra base religiosa, esses dois empresários moldaram seus negócios pela guarda do sábado. Especialmente Elie Horn, um dos grandes empresários do ramo imobiliário no Brasil, não abre mão da guarda do sábado. Fico pensando que ainda existem muitos outros, que nem conhecemos, e que também têm profundo respeito pelo sábado. Que lição para nós!



O ano de 2010 será nossa grande oportunidade de colocar o sábado no lugar em que Deus quer que ele esteja. Será um ano marcado pela proclamação do sábado como “Um Dia de Esperança”. Queremos que nossa comunidade conheça o dia do Senhor e faça um compromisso com sua observância. Vamos trabalhar fortalecendo a guarda do sábado internamente, na vida de cada membro da igreja, envolvendo diferentes iniciativas e materiais. Ao mesmo tempo, no dia 15/05, queremos ter o exército de mais de dois milhões de adventistas na Divisão Sul-Americana saindo às ruas, durante o Impacto Esperança, para distribuir 30 milhões de revistas com uma visão positiva do sábado. Uma semana depois, no sábado 22/05, serão 500 mil “Lares de Esperança” abrindo suas portas para compartilhar com os amigos um DVD com uma mensagem apresentada pelo pastor Fernando Iglesias, seguida por um convite para assistir a uma série de vídeos especiais sobre o dia de sábado. Serão iniciativas fortes para aprofundar a compreensão sobre a santificação do sábado na igreja e na sociedade, levando cada membro a guardá-lo e proclamá-lo.



Você já parou para pensar quantos guardadores do sábado ou corações sinceros vamos encontrar, entre cultos e incultos, ricos e pobres, pessoas aparentemente insensíveis ou mais abertas, cristãos ou não cristãos? Estamos dispostos a manter, a qualquer preço, o compromisso com a guarda do sábado? A abrir mão de privilégios, ou mesmo aparentes necessidades, para ser fiéis ao “dia do Senhor” (Ap 1:10)?



Quero desafiar você a guardar e proclamar o dia de sábado. Esse é o tempo em que precisamos renovar, de maneira profunda, nosso compromisso com sua observância. É o momento de abandonar hábitos, concessões, desculpas, interesses e tudo que possa estar enfraquecendo o sinal de Deus (Ez 20:20) em sua vida. Por outro lado, “A mensagem do terceiro anjo requer a apresentação do sábado do quarto mandamento, e esta verdade tem de ser levada perante o mundo…” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 383). Precisamos nos unir e torná-la mais conhecida.



O pastor Erton Kohler escreve mensalmente para a Revista Adventista, periódico mensal publicado pela Casa Publicadora Brasileira.


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